{"id":187,"date":"2024-04-01T07:40:58","date_gmt":"2024-04-01T07:40:58","guid":{"rendered":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/"},"modified":"2024-04-01T07:40:58","modified_gmt":"2024-04-01T07:40:58","slug":"palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/","title":{"rendered":"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental"},"content":{"rendered":"<div id=\"main-col\">\n<div id=\"content\">\n<article class=\"post-1153 post type-post status-publish format-standard hentry category-c41-articulos-portugues category-c38-noticias-revista tag-alvaro-lobato-de-faria tag-mac category-15-id category-32-id full-content meta-position-left-pullout fix\" id=\"post-1153\">\n<header class=\"post-header title-container fix\">\n<div class=\"title\">\n<h1 class=\"posttitle\"><a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/\" class=\"entry-title\" rel=\"bookmark\" title=\"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental\">Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental<\/a><\/h1>\n<\/p><\/div>\n<p><!-- \/.title --><\/p>\n<div class=\"date\"><span class=\"month\">Oct<\/span> <span class=\"day\">24<\/span><span class=\"year\">2013<\/span><\/div>\n<\/header>\n<p><!-- \/.title-container --><br \/>\n\t<span class=\"post-format-icon\">&nbsp;<\/span><span class=\"updated\" title=\"2013-10-24T13:14:24+00:00\">&nbsp;<\/span>\t\t<\/p>\n<div class=\"entry-container fix\">\n<div class=\"entry fix\">\n<div id=\"attachment_1151\" style=\"width: 216px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"#\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1151\" alt=\"SALUD MENTAL Y EXPOSICI\u00d3N DE ARTE \u2013 LISBOA\" src=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/files\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/salud_mental-206x300.jpg\" width=\"206\" height=\"300\"\/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">SALUD MENTAL Y EXPOSICI\u00d3N DE ARTE \u2013 LISBOA<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\"><em><strong>Ponencia presentada en el marco de la inauguraci\u00f3n de la exposici\u00f3n: Arte y Problemas de Salud Mental<br class=\"bch4dcbow065stdpy\"\/><br \/>\nCurador: Dr. \u00c1lvaro Lobato de Faria<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\"><strong>Director Coordenador do MAC<\/strong><\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\"><strong>Movimento Arte Contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A defesa e promo\u00e7\u00e3o de actividades relacionadas com a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos art\u00edsticos nos servi\u00e7os de sa\u00fade mental encontra-se, desde longa data, em conson\u00e2ncia com uma das directrizes fundacionais do MAC \u2013 Movimento Arte Contempor\u00e2nea, que se traduz na utiliza\u00e7\u00e3o do processo criativo como exerc\u00edcio subjectivo para o encorajamento e constru\u00e7\u00e3o de novas \u00e9ticas e est\u00e9ticas de exist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Enquanto Director-Coordenador desta institui\u00e7\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o cultural, foi com enorme prazer que abracei este projecto a convite do <b>Dr. \u00c1lvaro Andrade de Carvalho<\/b>, Director do Programa Nacional para a Sa\u00fade Mental, que desde j\u00e1 sa\u00fado por mais esta iniciativa que visa, acima de tudo, a<i> \u201cdefesa do direito \u00e0 livre express\u00e3o art\u00edstica\u201d<\/i>, permitindo-se questionar, e at\u00e9 mesmo romper, com as vis\u00f5es estigmatizadas das pessoas com doen\u00e7a mental, fomentando a sua inclus\u00e3o e autonomia.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Contrariando o modelo baseado no alienismo e no enclausuramento das pessoas com doen\u00e7a mental, a valoriza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias art\u00edsticas dos portadores destas doen\u00e7as que tem vindo a ser efectuada pelo Programa Nacional para a Sa\u00fade Mental, e que envolve a luta e a dedica\u00e7\u00e3o de muitos intervenientes, evolui pelo esfor\u00e7o comum de humanizar os tratamentos e pela defesa de um conceito de sa\u00fade como direito humano fundamental, que ultrapassa a ideia simplista da aus\u00eancia de doen\u00e7as, afirmando-se antes como componente primordial da qualidade de vida, da qual o livre acesso \u00e0 arte \u00e9 indissoci\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Numa sociedade que tem a necessidade de criar padr\u00f5es, todos os que assumem uma configura\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a, acabam por se tornar incompreendidos, assustam, amea\u00e7am os valores de \u201c<i>normalidade\u201d<\/i> institu\u00eddos. Este facto, em muito tem contribu\u00eddo para o isolamento das pessoas com doen\u00e7as mentais como forma de protec\u00e7\u00e3o da restante esfera social. Mas apesar deste medo ampliado, permitam-me afirmar que a arte \u00e9 esse espa\u00e7o onde o s\u00e3o e o insano se conjugam, se confundem, se reconciliam, com total liberdade e legitimidade.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A inclus\u00e3o da arte como terap\u00eautica alternativa no contexto da sa\u00fade mental, tem vindo a tra\u00e7ar as linhas de novos e deslizantes territ\u00f3rios, de contornos ainda indefinidos, onde as categorias tradicionalmente utilizadas pelos padr\u00f5es cr\u00edticos ou est\u00e9ticos anteriormente forjados n\u00e3o encontram oportunidade.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A associa\u00e7\u00e3o entre as perturba\u00e7\u00f5es mentais e a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica faz parte da hist\u00f3ria da humanidade, ganhando relev\u00e2ncia no final do s\u00e9xulo XIX e atingindo especial destaque em 1945, data em que o pintor franc\u00eas Jean Dubuffet real\u00e7ou esta pureza do impulso art\u00edstico atrav\u00e9s do termo \u00ab<i>Arte Bruta\u00bb,<\/i> referindo-se \u00e0 arte pura, natural, vers\u00e3o livre da figura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que transcende ou ignora a diferen\u00e7a entre as fr\u00e1geis fronteiras da sanidade e da inconsci\u00eancia, que pouco ou nada deve \u00e0 arte convencional e aos <i>clich\u00e9s<\/i> culturais, voltada antes para a integridade do ser existencial.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Produzida por criadores an\u00f3nimos, esp\u00edritos exilados e arredados dos circuitos art\u00edsticos profissionais, logo, livres de qualquer influ\u00eancia de estilos oficiais ou imposi\u00e7\u00f5es de mercado, a Arte Bruta, mais do que um fim, \u00e9 um meio, que utiliza as emo\u00e7\u00f5es mais profundas como utens\u00edlios de trabalho.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Para compreender toda a extens\u00e3o e complexidade das reflex\u00f5es e afirma\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas que estes artistas prop\u00f5em, haveria que encontrar e inventar outras categorias e modelos interpretativos, bem como outros horizontes de entendimento cr\u00edtico, hist\u00f3rico, est\u00e9tico ou sociol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Fortalecendo e valorizando a diversidade por via de distintas linguagens e abordagens que visaram a inclus\u00e3o, a desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos, o incentivo \u00e0 toler\u00e2ncia e o respeito pela diferen\u00e7a, os te\u00f3ricos da Arte Bruta insistem em defender que aqueles que passam pelo grande sofrimento do rompimento com a realidade, do mergulho sem protec\u00e7\u00e3o nos abismos do inconsciente, podem, por meio da express\u00e3o art\u00edstica, buscar o caminho de volta para a superf\u00edcie, e ainda que ameacem destruir a comunica\u00e7\u00e3o comum, possibilitam uma comunica\u00e7\u00e3o outra, mais genu\u00edna, mais directamente relacionada com as fontes de criatividade do que a arte tradicional conscientemente produzida. Ainda que possa existir um corte de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo, n\u00e3o existe um corte de comunica\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Injustamente ignorada, criada em condi\u00e7\u00f5es muito particulares de sil\u00eancio e solid\u00e3o, existe ent\u00e3o esta arte an\u00f3nima, inconsciente do seu pr\u00f3prio nome e das suas potencialidades, nomeadamente, da sua espont\u00e2neadade e autenticidade expressiva.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Frequentemente denominada de <i>primitiva, virgem <\/i>ou<i> crua<\/i>, esta arte reivindica que a liberdade da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 infinita e assiste por direito a qualquer homem, com ou sem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, detentor ou n\u00e3o de condicionalismos f\u00edsicos ou ps\u00edquicos.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Por alguma raz\u00e3o, determinados criadores, habitantes de mundos paralelos, escapam do conformismo social e dos condicionamentos culturais institucionalizados. Nos dom\u00ednios da pintura, da escultura ou da fotografia, estes artistas de invulgar sensibilidade, afirmam um discurso original, e atrav\u00e9s dos distintos elementos das suas caligrafias pict\u00f3ricas ou escult\u00f3ricas, multiplicam os di\u00e1logos paradoxais da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Ludibriando a raz\u00e3o, desvalorizam as hip\u00f3teses de sentido, de finalidade e de resposta aos \u201cporqu\u00eas\u201d que o <i>socialmente aceite<\/i> tanto insiste em colocar. Perante as suas obras, a \u00fanica realidade \u00e9 a da sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o, mais dependente de um qualquer estado de esp\u00edrito do que de qualquer estilo espec\u00edfico, cultivando apenas a cren\u00e7a de que a emo\u00e7\u00e3o, a vis\u00e3o interior, \u00e9 t\u00e3o ou mais importante que o mundo concreto.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Seres dotados, det\u00eam uma vontade livre e em virtude desta liberdade contornam as caracter\u00edsticas fixas e reguladoras e exprimem um mundo s\u00f3 seu, um mundo que \u00e9 a reflex\u00e3o desse complexo de instintos e pensamentos, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, a que chamamos personalidade.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Marginalizados ou exclusos, mant\u00eam-se salutarmente inconscientes das tradi\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas ou das modas vanguardistas, s\u00e3o indiferentes \u00e0s cr\u00edticas e, maioritariamente, \u00fanicos destinat\u00e1rios das pr\u00f3prias obras.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Deserdados da sociedade, agem por instinto, por estados, dores ou del\u00edrios de alma \u2013 complexos, intrincados e intensos \u2013, mas falam uma linguagem primordial, um l\u00e9xico que recorre a voc\u00e1bulos puros e acess\u00edveis a todos, e a sua imperiosa necessidade de express\u00e3o enobrece qualquer forma, seja qual for o tipo de suporte, o tipo de mat\u00e9ria, o tipo de processo para alcan\u00e7ar um resultado.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Fosse aquilo que eles fazem igual \u00e0quilo que todos fazem e ser-nos-ia totalmente desnecess\u00e1rio continuar a assinal\u00e1-los, a relembr\u00e1-los, a homenage\u00e1-los. Acontece, por\u00e9m, que toda a heran\u00e7a est\u00e9tica que nos legam, \u00e9 necess\u00e1ria precisamente porque nos impede de descansar em cima de conceitos e valores estandardizados ou canonicamente<i> correctos<\/i>.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Falar da obra destes estes artistas que n\u00e3o sabem que o s\u00e3o, \u00e9 falar do sonho, logo, n\u00e3o pode ser racionalmente explic\u00e1vel em preju\u00edzo de perder metade do sentido pelo caminho.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Aceitando a ruptura entre raz\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o, tornamo-nos capazes de validar esse reino imagin\u00e1rio que nos \u00e9 estranhamente sinistro, cheio de incongru\u00eancias que nos perturbam mas, no limite, nos fascinam. Pelo contr\u00e1rio, se ambicionarmos dissecar este universo, teremos de tecer complicadas considera\u00e7\u00f5es racionais no intuito de explicar coisas que s\u00f3 os sentidos entendem \u00e0 primeira. H\u00e1 em cada pormenor sa\u00eddo das m\u00e3os destes pintores, escultores ou fot\u00f3grafos, um elemento m\u00e1gico que reclama a nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Ao serem reconhecidos publicamente como artistas, estes criadores s\u00e3o capturados pela rede cultural e inclu\u00eddos na sua \u00f3rbita, depois de terem vivido um per\u00edodo de exclus\u00e3o. Neste sentido, a valoriza\u00e7\u00e3o da auto-estima que a arte possibilita aos portadores de doen\u00e7as mentais \u00e9 significativa da reorganiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e da reinser\u00e7\u00e3o social que a partir deste processo se potencia, exteriorizando e exorcizando a condi\u00e7\u00e3o de passividade e incapacidade err\u00f3neamente associada \u00e0 doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Crendo que \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de qualquer fruidor de obras de arte uma alma de explorador, n\u00e3o poderia, ao longo da minha carreira de galerista, comiss\u00e1rio e curador de arte contempor\u00e2nea, deixar de ficar indiferente a estes mundos desconhecidos, verdadeiros tesouros muitas vezes confundidos com del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es, mas bem reais para as pessoas com doen\u00e7a mental. E n\u00e3o ser\u00e1 que o del\u00edrio e a alucina\u00e7\u00e3o prov\u00eam do mesmo impulso libertador e cat\u00e1rtico a que chamamos <i>inspira\u00e7\u00e3o<\/i>?<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A imprecis\u00e3o das distintas defini\u00e7\u00f5es de arte que conhecemos, acontece porque em todas elas se considera como objectivo da arte a obten\u00e7\u00e3o de prazer est\u00e9tico e n\u00e3o o seu prop\u00f3sito na vida da humanidade. E \u00e9 bem prov\u00e1vel que a arte seja indefin\u00edvel e que o eterno debate em torno das suas caracter\u00edsticas particulares seja ingl\u00f3rio, mas de uma coisa estou certo, alcan\u00e7ar a ess\u00eancia da arte passa por deixar de olhar para ela como um ve\u00edculo de prazer hedonista e analis\u00e1-la como uma das condi\u00e7\u00f5es de bem estar da vida humana.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Assim considerada, a arte \u00e9 por excel\u00eancia um meio de comunh\u00e3o entre as pessoas. Todas as pessoas. A experi\u00eancia est\u00e9tica da cria\u00e7\u00e3o que \u00e9 hoje utilizada como forma de express\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o pelos portadores de doen\u00e7as mentais, pode e deve, ent\u00e3o, ser rentabilizada no sentido de criar novos territ\u00f3rios de ac\u00e7\u00e3o que ultrapassem a simples fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, proporcionando o enriquecimento dos report\u00f3rios da subjectividade expressiva.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Qualquer obra de arte faz o fruidor entrar em comunh\u00e3o com aquele que a criou e, simultaneamente, com todos aqueles que antes ou depois dele tiveram ou ter\u00e3o a mesma impress\u00e3o art\u00edstica. A particularidade deste meio de comunica\u00e7\u00e3o, distinto da comunica\u00e7\u00e3o por via da palavra, consiste no facto de que pela palavra a pessoa transmite a outra os seus pensamentos, enquanto pela arte, a pessoa transmite a outra as suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos mais profundos e ocultos, o seu labirinto de significa\u00e7\u00f5es, o espelho da sua alma.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A fun\u00e7\u00e3o primordial da arte \u00e9 ent\u00e3o baseada no facto do homem que recebe a express\u00e3o de outro homem ser capaz de experimentar o mesmo sentimento que aquele experimentou e expressou por sinais, formas, linhas ou cores. Ora, \u00e9 nesta capacidade das pessoas serem contagiadas pelos sentimentos de outras pessoas que a terapia pela arte surge como derradeira intermedi\u00e1ria das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A verdadeira arte \u00e9 a express\u00e3o imaginativa da emo\u00e7\u00e3o, da experi\u00eancia m\u00e1gica de comungar o sentimento do outro, que aposta numa certa vis\u00e3o das coisas que \u00e9 pr\u00f3pria das crian\u00e7as e talvez de certos adultos, cada vez mais raros, que n\u00e3o s\u00e3o mitigados por quaisquer experi\u00eancias \u201cadequadas\u201d e que mant\u00eam viva essa qualidade infantil de um olhar que ainda n\u00e3o foi distorcido pela influ\u00eancia do pensamento racional ou dedutivo, um olhar que aceita a correla\u00e7\u00e3o das incompatibilidades, a auto-sufici\u00eancia das imagens que, pelo acto da intui\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, se constituem mist\u00e9rios que ultrapassam a nossa faculdade l\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A arte produzida por pessoas com doen\u00e7a mental, hoje merecidamente aqui glorificada, evita, por defini\u00e7\u00e3o, os olhares alheios dos p\u00fablicos das galerias ou dos museus, n\u00e3o reivindica estatutos ou legitima\u00e7\u00f5es, antes transgride as normas da \u201carte estabelecida\u201d, sendo a sua \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o a de criar, a de comunicar di\u00e1logos interiores que necessitam ser exteriorizados. Porque de todas as formas humanas, a \u00fanica que n\u00e3o oprime \u00e9 a arte.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A ac\u00e7\u00e3o destes artistas n\u00e3o cabe em comp\u00eandios nem em enciclop\u00e9dias. Na sua ambi\u00e7\u00e3o pueril, t\u00eam-se isolado para se encontrarem a s\u00f3s consigo mesmos, num di\u00e1logo comprometido com as puls\u00f5es do subconsciente que por vezes s\u00f3 eles entendem, mas que generosamente doam aos outros homens.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">A utiliza\u00e7\u00e3o de recursos art\u00edsticos como possibilidades terap\u00eauticas alternativas, enfatiza, a meu ver, n\u00e3o s\u00f3 o car\u00e1cter multifacetado da sa\u00fade, que engloba o bem estar f\u00edsico, o bem estar ps\u00edquico e o bem estar social, mas tamb\u00e9m a defesa da diversidade humana, que tem de ser aceite e valorizada como uma virtude e n\u00e3o como um defeito.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Na arte como na vida, conviver com a diferen\u00e7a \u00e9 uma necessidade vital que nos distingue como seres humanos, e nunca o mundo necessitou tanto dessa conviv\u00eancia e aceita\u00e7\u00e3o como nos dias de hoje.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">Porque as pessoas s\u00e3o pessoas, n\u00e3o s\u00e3o doen\u00e7as, os sentimentos dos autores que hoje aqui homenageamos, variad\u00edssimos, fortes, significantes, conscientes ou inconscientes, contagiam os fruidores da mesma maneira que contagiaram os seus criadores, constituindo-se as suas emo\u00e7\u00f5es as mat\u00e9rias mold\u00e1veis da arte.<\/p>\n<p class=\"bch4dcbow065stdpy\">\u00c9 na subst\u00e2ncia dos sentimentos que estes artistas encontram os seus significantes mais pr\u00f3ximos e, atrav\u00e9s deles, empreendem a travessia da plasticidade, viagem de l\u00e1 para c\u00e1, num percurso de significa\u00e7\u00e3o e transmuta\u00e7\u00e3o da sua \u201crealidade sonhada\u201d, aqui e al\u00e9m atravessada por um rasg\u00e3o, um grito de alerta, como que a dizer: \u2013 Eu estou aqui! Tamb\u00e9m eu tenho o direito de aqui estar!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><!--\/entry --><\/p>\n<div class=\"meta-pullout meta-left-pullout\">\n<ul>\n<li class=\"fix\"><span class=\"category\"><span class=\"icon\">&nbsp;<\/span> <a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/category\/s5-articulos\/c41-articulos-portugues\/\" title=\"View all posts in Artigos em Portugu\u00eas\" rel=\"category tag\">Artigos em Portugu\u00eas<\/a>, <a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/category\/c38-noticias-revista\/\" title=\"View all posts in Noticias\" rel=\"category tag\">Noticias<\/a><\/span><\/li>\n<li class=\"fix\"><span class=\"tags tax\"><span class=\"icon\">&nbsp;<\/span>Tagged with: <a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/tag\/alvaro-lobato-de-faria\/\" rel=\"tag\">\u00c1lvaro Lobato de Faria<\/a>, <a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/tag\/mac\/\" rel=\"tag\">MAC<\/a><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div>\n<p><!-- .entry-container --><\/p>\n<footer class=\"post-footer postdata fix\">\n<\/footer>\n<p><!-- .post-footer --><\/p>\n<section id=\"comments\">\n<\/section>\n<p>   <!-- #comments -->\t<\/article>\n<p><!--\/post --><\/p>\n<nav class=\"post-nav fix\">\n<table>\n<tr>\n<td class=\"previous\"><a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/salud-mental-y-exposicion-de-arte-lisboa\/\" rel=\"prev\"><span class=\"icon\">&nbsp;<\/span> SALUD MENTAL Y EXPOSICI\u00d3N DE ARTE &#8211; LISBOA<\/a><\/td>\n<td class=\"next\"><a href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/arte-e-tudo-aquilo-que-os-homens-dizem-que-e-arte\/\" rel=\"next\"><span class=\"icon\">&nbsp;<\/span> &#8220;Arte \u00e9 tudo aquilo que os homens dizem que \u00e9 arte&#8221;<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<\/nav><\/div>\n<p><!-- content -->\n    <\/div>\n<p><!-- main col --><\/p>\n","protected":false,"raw":""},"excerpt":{"rendered":"<p>Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-187","page","type-page","status-publish","hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental \u00bb Niram Art Magazine<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental \u00bb Niram Art Magazine\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Niram Art Magazine\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"12 minutes\" \/>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental \u00bb Niram Art Magazine","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/","og_type":"article","og_title":"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade Mental \u00bb Niram Art Magazine","og_description":"Palestra e texto referente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o: Arte e Sa\u00fade [&hellip;]","og_url":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/palestra-e-texto-referente-a-exposicao-arte-e-saude-mental\/","og_site_name":"Niram Art Magazine","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Est. reading time":"12 minutes"}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/187\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/niramart.com\/revista-magazine\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}